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Após caso Itaú, Big Brother de produtividade entra no centro do debate

Por Thiago Guedes, CEO da DeServ
3 min de leitura

Demissões no setor bancário reacendem debate sobre produtividade e tecnologia

No início de 2026, o setor bancário brasileiro tem enfrentado um novo capítulo de controvérsia envolvendo demissões em massa no maior banco privado do país, mesmo em um cenário de resultados financeiros robustos. O movimento interno de cortes de pessoal tem gerado apreensão entre trabalhadores, sindicatos e especialistas, reacendendo discussões sobre práticas de gestão, metas de produtividade e o uso de ferramentas tecnológicas para monitoramento de desempenho.

Cortes de funcionários em meio a resultados bilionários

Os desligamentos relatados por colaboradores ocorreram tanto em áreas administrativas quanto na rede de agências, gerando preocupação sobre a manutenção de empregos e as mudanças de organização interna. O Sindicato dos Bancários solicitou explicações formais da instituição financeira, questionando a lógica dos cortes em um momento em que os resultados financeiros permaneceram elevados no ano anterior.

Segundo levantamentos sindicais, o banco registrou lucro líquido gerencial superior a R$ 34 bilhões nos primeiros nove meses de 2025, um crescimento importante em comparação com o período anterior. Para os representantes dos trabalhadores, essa disparidade entre lucro e demissões amplifica a tensão interna e a percepção de que as metas de produtividade e eficiência estariam sendo impostas de maneira severa ou sem transparência adequada.

Tecnologia e produtividade no centro da discussão

Um dos elementos que mais tem chamado a atenção na discussão é o papel das tecnologias de monitoramento de produtividade e automação. A adoção de sistemas de acompanhamento detalhado de desempenho tem sido citada por sindicatos como um fator que intensifica a pressão sobre as equipes, especialmente quando combinada com metas rígidas e cortes de pessoal.

Essa situação reflete um debate mais amplo sobre como empresas e instituições financeiras equilibram a utilização de tecnologia para otimizar processos com práticas de gestão que respeitem condições de trabalho, saúde mental e desenvolvimento profissional dos colaboradores.

Impactos sobre ambiente de trabalho e cultura organizacional

Trabalhadores que permanecem nas equipes relataram um ambiente de trabalho marcado por metas elevadas, cobranças recorrentes e insegurança em relação à estabilidade das vagas. Para sindicatos, esse tipo de clima pode ter impactos negativos não apenas na qualidade de vida dos funcionários, mas também na eficiência das operações e na reputação da instituição.

Por outro lado, a instituição mencionada argumenta que as mudanças fazem parte de um processo de reestruturação organizacional e ajustes visando eficiência e melhor desempenho individual, sem fornecer dados detalhados sobre o escopo ou as perspectivas de longo prazo.

Conclusão

O episódio das demissões e sua repercussão colocam em evidência questões importantes sobre a gestão de pessoas no contexto de uso avançado de tecnologia corporativa. A transformação digital no setor bancário e em outras indústrias exige uma reflexão sobre como equilibrar a implementação de ferramentas de produtividade com o respeito aos direitos, expectativas e bem-estar dos profissionais.

Como CEO da Deserv, acredito que esse diálogo é essencial para construirmos práticas de gestão mais humanas e sustentáveis, que considerem não apenas metas de resultados, mas também a cultura organizacional, transparência e o impacto das decisões sobre as pessoas envolvidas.

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