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O Diagnóstico e Avaliação de Conformidade da DeServ é um serviço estratégico que analisa o nível de aderência da sua empresa às principais normas, leis e boas práticas de segurança da informação, privacidade e governança.

Prepare sua empresa para a certificação ISO 27001 e fortaleça a conformidade com a LGPD.

A DeServ identifica gaps, orienta a implementação dos requisitos de Segurança da Informação, realiza avaliações de conformidade e acompanha sua organização até o processo de certificação por organismo independente.

A solução de Implementação de Políticas e Controles de Segurança da DeServ apoia empresas na criação, estruturação e aplicação prática de políticas, normas e controles que sustentam a segurança da informação, a privacidade de dados e a governança corporativa.

A solução de Treinamento e Cultura de Segurança da DeServ tem como objetivo capacitar colaboradores e lideranças para atuarem de forma consciente, responsável e alinhada às boas práticas de segurança da informação e proteção de dados.

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Você comprou o carro ou só alugou a permissão de usar?

8 min de leitura

Você já parou para pensar se o carro que está na sua garagem é realmente seu? Sabe o que acontece se o fabricante decidir amanhã que aquele veículo não pode mais usar a rede de recarga dele? Você sabia que isso não é hipótese de palestra, já aconteceu com gente que pagou o carro inteiro?

Em setembro de 2025, um comprador em Illinois adquiriu um Model 3 usado. Documento limpo, histórico limpo, tudo conferido. Ao tentar carregar pela primeira vez, descobriu que o veículo estava sinalizado internamente pela montadora como sinistrado e, por isso, bloqueado para usar as cerca de 70 mil estações de recarga da rede. A montadora ofereceu uma inspeção de uns 2 mil dólares para liberar. Ele estimou mais de 10 mil dólares somando inspeção e reparos.

Cinco anos antes, em fevereiro de 2020, outro caso parecido chamou atenção: um Model S usado teve os recursos de Autopilot removidos remotamente depois da venda, porque o fabricante entendeu que aquela função não acompanhava o veículo na revenda. Só voltou atrás depois da repercussão.

Percebeu o ponto aqui? O carro é seu. As funções do carro, nem tanto.

E aí o Homem-Aranha apareceu no painel

Entre 27 de julho e 10 de agosto deste ano, em mais de 70 mercados, incluindo o Brasil, donos de BMW ligaram o carro e encontraram na tela central uma mensagem tipo “Surprise! Spider-Man just dropped into your BMW!”. Quem tocava via uma animação promocional de uns 19 segundos, com música e integração com a iluminação ambiente do carro. Promoção do filme, parceria com o estúdio.

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Aconteceu mesmo…

A BMW disse que aquilo não era publicidade, era uma animação comemorativa, opcional, que só rodava com o carro parado e só se o motorista tocasse. Disse também que não pretende colocar anúncios de terceiros no sistema. Tudo bem, aceito o argumento.

Só que tem um detalhe que estraga a explicação: a própria BMW já havia dito publicamente que a tela do carro é um espaço privado, onde anúncios não deveriam aparecer. Aí apareceu o Homem-Aranha.

E veja, o problema não é o filme. É a descoberta de que existe um canal aberto, permanente, para escrever na tela do seu carro sem te perguntar nada. Dessa vez foi o Homem-Aranha. E da próxima?

Em 2016 saiu no site do Fórum Econômico Mundial um texto chamado “Bem-vindo a 2030. Eu não tenho nada, não tenho privacidade, e a vida nunca foi tão boa”. A autora, uma parlamentar dinamarquesa, depois fez questão de registrar que aquilo não era a utopia dela, era um cenário para provocar discussão. O Fórum nega ter essa meta. Eu acho justo dizer isso, porque a frase virou bandeira de teoria maluca na internet e não é disso que eu quero falar.

O que me incomoda é mais chato que conspiração. A gente está indo para lá sem ninguém ter planejado nada. Não por complô, por modelo de negócio. A mesma BMW tentou cobrar assinatura mensal pelo banco aquecido, um componente que já estava instalado no carro, e só recuou em 2023 depois de muita reclamação. A conta não fecha: você desembolsa trezentos mil reais em um ativo e recebe, na prática, uma licença de uso com termos que a outra parte pode alterar sozinha.

O que isso tem a ver com segurança da informação

Tudo. Pense comigo.

Na minha empresa, quando a gente senta com um comitê de risco e apresenta um fornecedor que pode suspender o serviço unilateralmente, sem SLA claro, sem portabilidade e sem plano de saída, a resposta é não. Chama dependência de fornecedor único e é reprovado em qualquer análise de terceiros minimamente séria. Acontece que esse mesmo executivo que reprovou o fornecedor sai da reunião, entra no carro da família e aceita exatamente esse arranjo sem ler uma linha.

Tem mais três camadas nisso, e nenhuma delas é ficção.

A primeira é superfície de ataque. Carro conectado é endpoint. Endpoint com quatro rodas, correndo a cem por hora, com a sua filha no banco de trás. Se o seu carro tivesse o mesmo calendário de correções críticas que o seu notebook tem toda terça-feira, você colocaria seu filho lá dentro com a mesma tranquilidade?

A segunda é concentração. Quando o software que move a frota de um país inteiro está em três ou quatro empresas, isso deixa de ser preferência de consumidor e vira risco sistêmico. É o mesmo raciocínio de nuvem, só que com gente dentro.

A terceira é dado. Se a montadora consegue empurrar um banner para o seu painel, ela sabe que você ligou o carro, onde, a que horas e se você tocou na tela. Telemetria, localização, rotina. Quem opera isso sabe mais da sua vida do que o seu vizinho de vinte anos.

E a supervisão, quem garante?

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Em fevereiro de 2026, em Hangzhou, um motorista bêbado instalou um dispositivo para simular as mãos no volante de um SUV com sistema de condução assistida, saiu do banco do motorista e dormiu. Pegou um mês e meio de detenção e multa de 4 mil yuans. No mesmo mês, a corte superior chinesa reforçou que a responsabilidade continua sendo do condutor, mesmo com o sistema ligado.

Na nossa linguagem, aquele peso no volante é bypass de controle. É idêntico a desligar o MFA porque atrasa o login, ou silenciar o alerta do EDR porque incomoda. A pessoa não removeu a fricção, removeu a proteção, e criou uma evidência falsa de conformidade para o sistema continuar rodando.

Só que repare na ironia. O mesmo fornecedor que pode desligar o seu carro remotamente, e que consegue escrever na sua tela quando quiser, é quem decide se a supervisão humana vai ser real ou vai ser teatro. Você depende dele para as duas coisas: para o carro funcionar e para o carro não te deixar fazer besteira. É muito poder em um contrato que ninguém leu.

Yanis Varoufakis chama esse arranjo de tecnofeudalismo, essa ideia de que o dono da plataforma cobra aluguel de todo mundo que quer existir dentro dela. Você não precisa concordar com ele em economia para achar a imagem útil aqui.

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Tecnofeudalismo vai matar o captalismo ? Fonte: comciencia.br

E eu preciso admitir uma coisa antes de continuar. Eu tenho um lado saudosista nessa história. Gosto de carro que liga sem pedir licença para nuvem nenhuma, e sei que parte da minha implicância vem daí. Não tenho a resposta de como equilibrar conveniência e autonomia nesse modelo. Pode ser que daqui a dez anos eu esteja escrevendo aqui que estava errado.

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FORD MAVERICK V8 – 1974 – Isso sim que é carro

O que dá para fazer hoje

Leia o contrato antes de se apaixonar pelo produto. O termo de uso do software embarcado diz mais sobre o seu carro do que a ficha técnica. Vale para carro, vale para máquina agrícola, vale para o ERP da sua empresa.

Pergunte o que acontece quando fica offline. Essa é a pergunta que separa produto de refém. Se a resposta for “não anda”, você não comprou um veículo, comprou um terminal.

Pergunte quem pode escrever na sua tela. Se existe um canal para a montadora te mandar uma animação de filme, existe um canal. Quem mais tem a chave dele, e o que passa por ali?

Descubra se a função é do carro ou da conta. Isso decide o seu valor de revenda e você só vai saber disso no pior momento possível, que é na hora de vender.

Trate atualização remota como mudança, e não como presente. Se você gerencia frota, isso é gestão de mudança: janela, changelog, teste, plano de retorno. Ninguém aceitaria que um fornecedor alterasse o comportamento de um ativo crítico da empresa na madrugada sem avisar, certo?

Exija plano de saída até daquilo que você comprou. Portabilidade de dados, continuidade de peças, o que acontece se a empresa for vendida ou quebrar. Essa pergunta é padrão em contrato de nuvem e é praticamente ausente em compra de veículo.

E se é da empresa, isso é risco de terceiros, não é assunto do setor de frotas. Um carro corporativo conectado deveria passar pelo mesmo crivo que um SaaS novo. Hoje não passa quase em lugar nenhum.

Volto para a garagem, que é onde eu comecei. O carro é seu no documento. A pergunta que eu faço, e que serve para carro, para software, para nuvem e para IA, é sempre a mesma: quem pode desligar?

Porque quem pode desligar, manda. E quem pode escrever na sua tela, conversa com você quando quiser, do jeito que quiser. Aí a discussão deixa de ser sobre mobilidade e passa a ser sobre soberania, que é assunto nosso, de segurança da informação.

Você já leu o termo de uso do seu carro?

Grande abraço,

Guedes

Fonte: LinkedIn — ver artigo original

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